AMÉRICA CHAVEZ E O NÃO-LUGAR UTOPIAN PARALLEL:
SILENCIAMENTOS E CONTRADIÇÕES NA REPRESENTAÇÃO DE HEROÍNAS NOS QUADRINHOS
Palavras-chave:
América Chavez; Análise do Discurso; Utopian Parallel; contradição; representação.Resumo
Este artigo analisa as contradições discursivas na construção da personagem América Chavez (Miss América) nos quadrinhos da Marvel, examinando três eixos fundamentais: sua origem em Utopian Parallel, o discurso de rebeldia individualizada e a representação despolitizada de sua queeridade. A partir da Análise do Discurso de linha materialista (Pêcheux, Orlandi). Consideramos também os estudos decoloniais (Quijano, Mbembe) e a crítica da cultura neoliberal (Fraser). O qe procuramos demonstrar é como a personagem opera simultaneamente como símbolo de representatividade e produto de apagamentos históricos. A análise revela que sua origem, Utopian Parallel, funciona como um não-lugar (Augé) que produz um apagamento/silenciamento sua latinidade, enquanto seu uniforme e nome se apropriam de signos culturais de forma vazia. As contradições identificadas - sistematizadas em uma tabela analítica - expõem os mecanismos pelos quais a indústria cultural incorpora demandas por diversidade sem alterar estruturas de poder. Conclui-se que América Chavez exemplifica o "paradoxo da representação neoliberal" (Fraser), onde visibilidade não equivale necessariamente a transformação política.